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Caramba, se dói…!

por parasergrandeseinteiro, em 29.05.13

Acho que é da natureza do ser humano ter tendência (e algum cobarde prazer e autocomiseração) em “lamber feridas”.

Há algum mal nisto?

Para mim não, de qualquer forma sei que não posso eternizar esta fase e vou-me perdoando mas ciente de que a coisa tem que evoluir.

Choro quando me apetece e ainda são bastantes vezes, embora haja alturas desadequadas mas não tenha dado para controlar…

 

Sinto muitas saudades todos os dias. Não de uma realidade que tenha realmente existido ou de um passado, mas em algo que acreditei e no que senti. Parecia-me tão bonito! Sinto falta da felicidade em que me embebi, naquilo que acreditei, de partilhar, de amar e tantas mais coisas... como partilhar uma manta no sofá a ver um filme. Ainda sonho e acordo no passado. Gostava de não ter a opinião que tenho hoje. Mas é assim… E estas são as regras hoje. Tenho que as aceitar!

 

Hoje é assim, amanha será melhor, depois melhor ainda. Pode vir (e virá) um dia mais cinzento de novo… mas os dias nunca são iguais. E vai haver um dia em que já não dói.

 

Ontem tive a minha primeira apresentação para os 20 pessoas na empresa. Foi uma ETAPA, foi a primeira vez, em inglês, percebi que correu bem mas há muito a melhorar, em termos de fluência de inglês, de cultura e conhecimento do negocio. No fim do dia a minha chefe chamou-me, elogiou-me e fez-me criticas construtivas (que largamente apreciei) e voltou a tocar no assunto do meu marido em Macau e como deve ser difícil para mim estar cá sozinha durante a semana… (Pensei, é agora!)

De um jeito (inicialmente) adequado expliquei-lhe que eu e o meu marido não estávamos juntos, que realmente o “driver” e/ou a minha motivação para a minha mudança foi vir acompanha-lo, mas que a situação já não era essa e que achava correto pô-la a par (ate porque dispenso os comentários constantes de que vim acompanhar o meu marido). Perfeito, ponto final na historia. Tudo estaria bem se não me tivesse desmanchado a chorar, e a repetir constantemente que estava bem… A cara da senhora era de perplexidade. E só me conseguiu dizer que ficava extremamente preocupada de eu estar aqui sozinha numa cidade tão grande, com um emprego novo e numa cultura tão diferente. (Tinha uma legenda na testa a dizer: Ai meu Deus, o que fizeste a tua vida?)

 

Bem!, confesso que os argumentos para a sua preocupação para mim não são assustadores nem um obstáculo, fiquei realmente preocupada com a minha emotividade a frente da minha chefe de 3 semanas, chinesa… Há realmente diferenças culturais entre nos!

 

Agora tenho mais uma prova de fogo, mostrar-lhe que apesar de estar frágil, aguento o tranco! Sou emotiva, europeia, latina e um pouco louca! Mas quero trabalhar, e bem!

 

Espetacular!!! Chorar em frente a um chefe chines… Ai, ATCG só tu!

 

Mas é assim, choro e chorarei enquanto for essa a necessidade, e porque é bom deitar cá para fora… mas pode ser longe do contexto profissional!

 

Diz-se e muito bem: "quem não se sente, não é filho de boa gente" e os meus pais são maravilhosos, ai esta o porque desta lamuria toda! LOL

 

Medidas para melhorar o meu inglês BRITISH, oiço aulas de inglês no caminho de casa-trabalho-casa. Escrevo tudo o que tenho que fazer em inglês e traduzo os meus pensamentos e quando não sei vou procurar a  . Radio, Tv e afins... Just in English! Vamos la ver se isto não vai ficar Perfect! 

 

Partilho uma musica maravilhosa, sugerida por uma pessoa maravilhosa para mim (obrigada querida MA):

http://www.youtube.com/watch?v=wwANr0kbQnw

 

"Saudade, vá entra a vontade
porque já esperava que fosses voltar
com esses teus olhos tão verdes
falando de pressa para me atentar

(...)e dá-me notícias que trazes de alguém
passado porque tudo passa
e até tu saudade vais passar também

Não há dois dias nunca iguais
eu quero viver cada dia como nunca mais
(...)


É bem possível que amanhã
ainda me peças para voltar atrás
mas ouve o que passou, passou
nada se repete para mim tanto faz

(...)

É bem possível que outro amor
cresçam em mim em flor da cor do jardim
o improvável acontece
e até tu saudade vai chegar ao fim

(...)" 

publicado às 04:24

A pedido da minha querida prima M (a mais velha ;))

por parasergrandeseinteiro, em 13.05.13

A minha prima M está a fazer um trabalho sobre a emigração em Portugal, estabelecendo um paralelismo de motivações entre os anos 50/ 60 e os dias de hoje.

Pediu-me o meu testemunho para utilizar como um anexo.

Tive todo o gosto em contribuir e partilho-o agora aqui:

 

Construir um ‘América’, ou será uma Ásia’?

Cresci a ouvir, que tempos houve no passado, em que muita gente, inclusive o meu querido avô Correia, teve que prescindir da sua família e zona de conforto para se lançar além fronteiras. Era a única forma de gerar um orçamento familiar capaz de fazer vingar os filhos. E assim foi.

O meu avô saiu de Portugal, provavelmente numa carripana com um grupo de gente nas mesmas condições, atravessou grande parte de Espanha a pé, à boleia… será difícil imaginar! E chegou a Paris.

Na altura não havia skypes, facetimes, telemóveis, emails… a carta que demorava semanas a chegar era a única forma de aconchegar um coração ferido pela saudade.

As 3 filhas que teve são hoje mulheres “bem criadas” mas à custa de um pai ausente.

 

Terminei o meu curso, comecei a trabalhar no dia a seguir ao meu estágio… Passei de uma empresa para outra e outra, tirei um mestrado e agora estou a terminar uma pós-graducao numa prestigiada universidade no Reino Unido de onde saem primeiros ministros e presidentes.

Não me posso queixar, ganhei a minha independência na altura que tive necessidade e também possibilidade. Fui crescendo profissionalmente e ganhando responsabilidades, viajei bastante.

Então porque sair do meu pais? Então porque não ter os que mais amo no meu dia a dia…?

 

No dia 26 de Junho de 2013 faz sete anos que terminei o meu curso e que estou a trabalhar. No dia 26 de Junho de 2013 faz sete anos que deixei de receber mesada e passei a ter uma conta com mais de 3 dígitos (pelo menos no dia em que me pagavam) e há sete anos que gosto de me desafiar, que acredito que quando fazemos algo bem terá repercussões… não necessariamente pessoais, mas no resultado de um projeto, na vida de um doente, no futuro de algo…

Sou uma mulher da ciência, acredito na lógica e no raciocínio… e nos últimos anos, infelizmente, deixei de perceber muita coisa no meu país.

Saí do meu pais, porque precisei de sair de um “barco que se está a afundar”. Porque vi muita gente muito próxima de mim a perder o emprego, a não ter possibilidades… ‘Abandonei’ o barco, porque sou adepta da premissa que a mudança não é reativa mas sim proativa. Vim buscar ajuda talvez… e tenciono voltar.

 

Nunca tive nada de ‘mão beijada’. A sorte construo-a todos os dias, e pago um preço alto… as saudades, a solidão, a incerteza do futuro, a dúvida do que está certo ou errado… Mas não olho para trás, vim buscar motivação, vim viver e respirar coisas novas, vim aprender com pessoas diferentes, vim abraçar um projeto profissional melhor, vim ganhar dinheiro… Vim buscar o que o meu pais deixou de me poder dar, a esperança e possibilidade de viver com qualidade.

Nos últimos tempos, leia-se 4 anos, trabalhei bem mais que 8 horas por dia, hipotequei os meus serões e fins de semana, e  não tinha dinheiro para gozar de momentos de lazer… nem para poupar!

Vim por mim, vim pelos Meus e pelos que hão de vir.

 

Avô Correia, todos nos só somos o que somos hoje porque tu és um homem que não olhou para trás e foste buscar a tua sorte. És uma inspiração para mim.

 

Cada um tem o seu fado, o meu será sempre Portugues… mesmo do outro lado do mundo.

publicado às 14:57

NOT #2

por parasergrandeseinteiro, em 09.05.13

Minha gente,

Fui ao watson's fazer umas comprinhas mais higiénicas e femininas... e recebo um brinde. Um pacotinho inocente, pus no saco!

Cheguei a casa e abri o pacotinho:

 

Um MEGA penso higiénico noturno para uma dinossaura chinesa! Quase 40 cm de absorvente...

Ou será uma swiffer?...

Esta gente faz-me dar boas gargalhadas!

publicado às 14:26

Como o sol de inverno, Não tenho calor

por parasergrandeseinteiro, em 23.03.13

Uma vez houve… que encontrei a Simone de Oliveira numa noite de Verão, num restaurante no Bairro Alto.

Quem me conhece sabe que a probabilidade, de numa situação destas, eu e a Grande Simone partilharmos umas graçolas e discutirmos umas ideias é bem possível.

E assim aconteceu, até cantamos as duas a Desfolhada. O vinho ajudou como é óbvio!

 

Hoje apeteceu-me ouvir o "Sol de Inverno", uma das minhas músicas favoritas, que linda letra…

 (…)Sonhos que sonhei, Onde estão?

Horas que vivi, Quem as tem?

De que serve ter coração, E não ter o amor de ninguém.

Beijos que te dei. Onde estão?

A quem foste dar O que é meu

Vale mais não ter coração, Do que ter e não ter, como eu.

Eu em troca de nada. Dei tudo na vida

Bandeira vencida. Rasgada no chão,

Sou a data esquecida. A coisa perdida, que vai a leilão

(…)

Vivo de saudades, amor.

A vida perdeu fulgor,

Como o sol de inverno, Não tenho calor.”

 

Uma das melhores intrepetações, por Marisa Pinto:

 

publicado às 14:44


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