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A caminho das ilhas Togian

por parasergrandeseinteiro, em 27.02.14

Hoje fomos brindados com uma excelente notícia! O visto 457 foi aprovado para ambos, temos caminho aberto para a Australia. Depois de umas dezenas de passos e um tempo longo de espera, já está!

 

Nos últimos dias que temos de Indonésia resolvemos ir às Ilhas Togian. O plano é óptimo, o difícil é o caminho que temos que percorrer até lá. De Manado a Gorontalo foram 8 horas de autocarro (que se traduziram em 10 horas).

 

Vamos passar uma noite em Gorontalo para apanhar o Ferry amanhã à tarde para as ilhas Togian, e aí serão 15h de viagem. Bem! Espero que as Togian sejam mesmo um paraíso! Porque chegar lá não é pêra doce!

Neste ponto estamos em Gorontalo a recuperar da estupada da viagem de autocarro que não foi fácil.

 

Hoje acordámos as 3:45 da manhã e fomos esperar o autocarro. Confesso que apesar de tudo me delicio a ver a logística e a rotina daqui:

 

 

 

A viagem foi feita com um calor infernal, um barulho a motor misturado com uma selecção musical de "cortar os pulsos", bancos simpaticamente classificados como desconfortáveis, o chão ia a arder... Emanava calor e eu estava com receio de derreter as solas. Provavelmente estava a delirar! Eu sofri, mas mais uma vez o J teve as suas dificuldades intensificadas pelo seu tamanho!

 

Tivemos apenas uma paragem. Serviu para almoçar e mudar um pneu, que medo!

Íamos com um galo no autocarro, que ao contrário do que prevíamos: que chegasse cozido, cantou o tempo todo. Uma festa!

 

 

 

 

Post escrito 24 de Fevereiro. Nos próximos dias, se chegarmos as ilhas Togian, não terei acesso a internet.

Até breve com mais notícias e boas experiências :) espero!

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publicado às 06:12

Minahasa, sulawesi, Indonésia

por parasergrandeseinteiro, em 25.02.14

Imagens de um dia muito bem passado.

Enquanto o J. foi mergulhar eu li, escrevi, comi e... dormi :)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 O que se quer mais?

 

(20 de Fevereiro de 2014)

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publicado às 07:22

E ando obcecada!

por parasergrandeseinteiro, em 24.02.14

Desde que deixei de viver em Portugal, há algumas coisas que me fazem falta e outras nem tanto.

 

A alimentação é dos pontos que tenho tido mais dificuldade de adaptação. E eu sou o chamado "bom garfo", sem grades esquisitices e com um apetite leonino!

 

Em Hong Kong só senti alguma dificuldade no fim da minha estadia (8 meses), quando me comecei a sentir saturada com os ingredientes, apesar de cozinhar diariamente e tentar manter o mais possível os meus hábitos alimentares mediterrânicos. Mas não é tão fácil como se possa imaginar.

Não havia boa carne, nem peixe frescos, e o que de melhor havia tinha preços exorbitantes. Os vegetais ditos biológicos, ou seja com menor probabilidade de terem sido cultivados no meio da poluição, também se faziam pagar.

Eu não tinha forno, apenas placa de indução ou microondas, logo tinha o meu leque de opções mais limitado. Por isso cheguei a um ponto que já nem sabia o que me apetecia...

Enjoei completamente de cozinha Chinesa! E, principalmente, tornei-me extremamente sensível aos intensificadores de sabor e a esses "truques" culinários muito pouco saudáveis se usam por lá.

 

A comida indonésia é bastante diferente. Apesar de ter o arroz como acompanhamento principal mas agrada-me bem mais.

 

Mas isto de estar algum tempo num país que não o nosso faz-me perceber muita coisa.

É muito difícil mudar os nossos hábitos de raiz.

Se bebo leite, queijo e derivados, como carne e peixe grelhados, gosto de pão (com côdea RIJA), batatas cozidas, saladas... como me vou habituar a comer arroz frito ao pequeno almoço? Comer vegetais fritos e salteados sempre com o mesmo sabor de base? (no caso da comida chinesa com intensificadores de sabor que me dão cabo do estômago) Sopa de soja?

Custa-me e não quero!

 

Aqui temos que ter atenção nos pedidos que fazemos porque o consumo de açucar é inarrável.

Às vezes sou muito insistente com o NO SUGAR PLEASE! mas por vezes vem na mesma MEGA doce.

Ou então dizem que não tem açucar. Ai não? Então o que se passa aqui? Tem leite condensado.

Percebi que leite para "eles" pode ser leite condensado.

 

Nos últimos anos houve um por aqui um "BOOM" de alimentos com açucar processado e da "Junk Food", então o consumo de doces e fritos é desmedido e sem qualquer consciência dos riscos que trazem.

As crianças estão sempre agarradas a doces artificiais. Na saída das escolas vêem-se carrinhos de venda de doces, como por exemplo granizado de gelo com leite condensado. Impressiona!

Estiveram muitos anos com acesso apenas ao mais biológico possível e agora é uma novidade e um exagero.

Acredito que estes comportamentos tenham sérias consequências de saúde pública no futuro.

 

E pronto... anseio por um bom pão, queijo, chouriço, galão, carne e peixe grelados, guisados simples... batatas cozidas e... vou parar!

 

Ando a ter uma alimentação pouco cuidada. Tento fazer refeições equilibradas mas como me sinto saturada do comida local, tem havido algumas vezes que recorro ao Mc.Donalds e por aí.

 

Verdade! Ando obcecada com receitas e listas de compras para quando chegar à Austrália.

E já estou preparada mentalmente para "pagar a conta" dos abusos que ando a cometer por aqui. Mas férias são férias e tão cedo não terei tempos assim! Por isso, coração à larga!

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publicado às 07:11

Tomohon, definitivamente marcante

por parasergrandeseinteiro, em 23.02.14

Marcante, pela intensidade que as suas tradições tiveram em mim.

Fiquei a pensar como as nossas sensibilidade e predisposição estão trabalhadas e adequadas à nossa cultura e hábitos, no fundo àquilo que aprendemos a ser o normal e o correcto.


Tomohon, é terceira maior cidade do norte da ilha de Sulawesi.
O que nos levou lá foram: a existência de 2 vulcões (Mt. Mahawu e Mt. Lokon) e o mercado "macabro" (TOMOHON’S MACABRE MARKET).
Fomos ao mercado e ao Mt. Mahawu.

Acordámos cedo, preparámos o outfit adequado, apanhámos um mikrolet, chegámos à estação central de autocarros de Manado com o objectivo de ir para Tomohon.

Microkolet
Procurámos pelo autocarro que nos levou até Tomohon.
Não estávamos completamente certos nem ilucidados como ir para lá. Queriamos ir de transportes locais então perguntámos e apontaram-nos com o dedo.
(Aqui comunicamos por palavras chave ou gestos, já que há poucas pessoas a falar e a perceber inglês).
E ali estava, um autocarro médio BEM preenchido de pessoas.
Ainda se pôs a hipótese de esperar pelo próximo. Mas não resignada entrei no bus e rapidamente as pessoas começaram a fazer sinais de "anda que ainda cabes aqui".
Nota: havia cadeiras de plástico encaixadas no corredor. Uma anedota!

Eu encaixo-me em qualquer lado (ridiculamente até estava disposta a ir de pé. Não estava minimamente ciente do me esperava), os 191 cm do J é que é mais complicado!
Mas lá se encaixou, muito mal, num espaço improvisado.
De portas abertas e com um barulho de motor ensurdecedor, lá fomos para Tomohon.
No total foram 2 horas de inferno para percorrer 23Km!
(Confesso que vibrei com a experiência apesar de ter sofrido horrores com o desconforto e calor)

Mal chegamos, o cheiro intenso a "bedum" fez-se sentir.
Estávamos ao lado do mercado. Do mercado macabro!
(É das coisas que mais me incomoda são os maus cheiros, intensos e sanitários que se sentem por aqui. De resto sou relativamente todo-o-terreno. Muito mais do que algum dia achei.)


Costuma dizer-se que as pessoas de Minahasan comem/ ingerem tudo o que quatro patas, excepto cadeiras e mesas. E é verdade...
Tenho a dizer que é preciso estômago e mente aberta para aceitar o que por lá se passa.
As imagens seguintes são extremamente impressionantes (na minha perspectiva) e podem ferir susceptibilidades.

Pois bem, por aqui vende-se e come-se todo o tipo de carne.

 

Cão:



Ratos e ratazanas:


Serpente:


Morcegos:

E outras:
É incrível, custa a ver e a perceber mas são a cultura e tradição do povo de Minahasan.
A mim impressionou-me, mas já vou ficando imune a estas diferenças e aceito-as, mas tenho que gerir a impressão que me provocam.


Para aliviar um pouco a intensidade do mercado pusemo-mos a caminho do vulcão Mahawu. São cerca de 15Km ida e volta.
Tivemos uma ajudinha pelo caminho. Uma carrinha de caixa aberta parou. Acenou-nos num movimento que se percebeu ser - subam! E nós gritamos: Mahawu!
Adorei!



Levou-nos até onde tinhamos o caminho em comum e depois continuamos a pé.

O percurso, embora a mim me custe sempre muito a subir, é lindo.
A natureza oferece-nos vários cenários: campos de arroz, socalcos cultivados com várias texturas e às vezes vegetação densa.
Apanhámos diversos locais pelo caminho a trabalhar, e sempre, mas sempre, nos cumprimentam!
O cratera do vulcão em si não me impressionou, mas a sensação de chegar ao cimo é sempre especial.
Depois de ver o monte Bromo, é difícil impressionar-me.


Voltamos a descer.
O J teve uma ideia de cortar caminho e sem saber meteu-nos no meio de de terrenos cultivados. Quando demos contá-la estávamos no meio de regos e mais regos a descer a encosta...
Já nos imaginava num grande sarilho, perdidos e a ter que subir tudo de novo...
Mas não! Encontramos o proprietário que não se zangou de lhe andarmos a pisar as cenouras, e ainda nos apontou -Tomohon! Que era a direcção que queríamos.


No caminho encontrámos uma fonte onde nos refrescamos!




De volta a Tomohon decidimos não comer ali. Depois do que vimos no mercado não estava com apetite de comer nada naquela cidade.
Fui ao supermercado comprar um pacote de bolachas importado!!!! e dois ratinhos passaram-me pelos pés.

Enfiados e empacotados no autocarro, cheios de coragem, enfrentamos a viagem de volta.

O J não foi feito para as dimensões da Indonésia.
Como o autocarro viaja com as portas abertas estava com receio que adormecesse e me caísse do autocarro no caminho.
Ao que me respondeu: não te preocupes. Mas se cair tira fotografias!
Outro exemplo: Fazer atenção aos fios da elecricidade.


Chegados a Manado fomos directos para o Mc Donalds! Precisavamos de um sitio seguro para comer. Sem risco de nos ser servido cão ou ratos!

E assim foi um dia em grande!

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publicado às 05:48

O mercado de Manado

por parasergrandeseinteiro, em 22.02.14

Sempre gostei de ir ao mercado.

Em Portugal não ia muitas vezes porque não tinha tempo.

 

O que mais gosto são as cores, cheiros dos produtos frescos e muitas vezes as personagens típicas.

Ultimamente aprendi a gostar ainda mais de mercados. Percebi o quanto se pode sentir um povo num mercado. Principalmente aqui no sudoeste Asiático. A sua rotina diária passa pelo mercado.

 

Gosto de ver os produtos locais. Picar petiscos feitos na hora. Ver os comerciantes e os cliente a interagirem. É sempre uma experiência especial.

 

Ontem fui ao mercado de Manado.

Bem! O cheiro não era o melhor. É a minha principal limitação nestes mercados mais "típicos" principalmente na parte do aviário e das carnes.

Às vezes tenho de me concentrar para a "coisa não dar para o torto". Mas, uma vez ultrapassado isso é uma animação.

 

Mais uma vez as pessoas impressionam-me pela positiva. Interagem de uma forma encantadora, pedem fotografias, apertos de mão, perguntam o nome, de onde vimos... Riem de uma forma mágica e só deles!

 

 

Frutas, legumes, cereais, carne, peixe... Tudo a "rodar", toda a gente a trabalhar ou a descansar.

 

 

As crianças brincam na chuva com... um saco de plástico ;) e um entusiasmo mais autêntico do que uma "nossa" criança com uma consola de jogos.

 

Cores, cheiros, texturas...

 

 Também se dorme:

 

E apanhei uma valente chuvada

 

 

(Escrito 19 de Fevereiro e publicado posteriormente por dificuldades de acesso à internet.)

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publicado às 11:50

Alguns tipos de transporte por aqui

por parasergrandeseinteiro, em 22.02.14

Mikrolets, pequenas carripanas azuis e muito características em Sulawesi! Com musica, decorações extravagantes, luzes psicadélicas e música alta... Acena-se para pararem, entra-se e pede-se para encostar em qualquer ponto do percurso. Ou seja não há paragens especificas. Outra vantagem é serem extremamente baratos!

 

1

 

 

Interior

 

 

 

 

 

CROCS, Nunca eu pensei em toda a minha existência em dar uso a uns exemplares destes como tenho dado. Estão quase gastos dos Kms que lhe estou a pôr em cima. A realidade é, Chuva, sol, areia, terra... venha tudo! Confortáveis, secam rápido, facilmente laváveis e estão sempre "prontos".

 

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publicado às 00:28

O puzzle que há em mim

por parasergrandeseinteiro, em 19.02.14
As vezes sinto-me um puzzle. Tenho varias peças e nem sempre se encaixam.

Pode ser do ciclo menstrual. Pode sim Sra.!
Há alturas que ainda menos se encaixam.

Nada há nada de errado nisso...
As nossas decisões nem sempre estão em paz com as suas consequências. Ou seja, uma escolha tem um lado positivo (por isso a escolhemos) e um lado negativo. Escolher outro caminho implicaria o mesmo, mas com um lado negativo maior e por isso menos vantajoso (por isso não foi o escolhido).
Não voltaria atrás ou mudaria um ponto que fosse, porque decidi assim e continuo a acreditar nas razões que ponderei atrás.

Mas num caso concreto, dei por mim de coração apertado e "chocada" com o facto de ter deixado a minha rotina familiar em Portugal. Amo a família, cada um deles, e apercebo-me todos os dias o quanto são importantes para mim.
O facto de não participar nas suas vidas, vê-los a crescer e a envelhecer, de os sentir, partilhar uma mesa farta... Da-me pena. Dói!
Foi uma escolha que fiz. Vim embora, tive as minhas razões. Mas de alguma forma perdi isso. E às vezes ALEIJA pensar assim.

O skype, o email, o blog, as cartas... Tantos são os meios que ajudam a ultrapassar isso. Mas não chega. Há dias que faz falta o abraço, um olhar ou um beijo.

Vivo com a minha escolha. Faz-me sentido e sei qual a "conta que pago" em contrapartida.

O puzzle não encaixa perfeito.
Olha! E dói!

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publicado às 01:28

Tana Toraja, sul da ilha de Sulawesi, Indonésia

por parasergrandeseinteiro, em 18.02.14

Aviso: Imagens chocantes, podem ferir susceptibilidades dos mais sensíveis!

 

10 horas de autocarro, 321 Km!

Chegados a Tana Toraja, cidade no sul da ilha de Sulawesi e íamos "fisgados" com as cerimónias fúnebres, tão diferentes e típicas, desta zona.

Em Rantepao, Tana Toraja, arranjámos um guia. Fiz um pouco de barulho com o preço que nos propôs, mas depois de uma pesquisa pela internet aceitámos a proposta. E valeu bem a pena!

Tivemos uma experiência e participação numa tradição única.

 

Uma comemoração fúnebre tem várias cerimónias. Estas, reflectem uma mistura de tristeza, comemoração e ostentação de riqueza.

Quando um Torajan morre em Toraja, os membros da sua família realizam uma série de cerimónias fúnebres, durante vários dias, que normalmente duram vários dias antes do falecido ser enterrado.

 

O falecido não é enterrado imediatamente, mas guardado em numa casa tradicional com a família, Tongkonan, como os locais chamam - sob o mesmo teto com a sua família.

 

(Imagem a ser introduzida assim que as condições de WiFi o permitão)

 

Os Torajans consideram que até ao enterro propriamente dito a pessoa apenas está a sofrer de uma doença e não morta. Quando o primeiro búfalo é sacrificado, então o seu espírito pode começar a sua viagem à Terra das Almas.

 

 

 

 

A grande questão aqui é: uma comemoração destas requer um investimento financeiro significativo e pode não haver liquidez disponível para o fazer de imediato.

Por tradição, as famílias guardam os corpos preservados em bálsamos e mumificados, até terem o dinheiro necessário para fazerem o funeral com todos os requisitos necessários.

Este empasse pode demorar de 1 até 10 anos, dependendo do condição financeira da família. Se tiverem posses é mais rápido.

 

Minhas perguntas:

"Dormem perto ou com corpo?" - Sim, ao lado. Na mesma cama.

"Não cheira mal?" - Um pouco. Mas no processo de mumificação, colocam um tubo de bambu para vazar os líquidos das entranhas e com o tempo deixa de deitar cheiro."

(Já devia estar verde-acinzentada nesta altura)

O guia ainda referiu: "vocês poupam dinheiro para as férias, nós poupamos dinheiro para os funerais das nossas famílias".

 

A família do falecido deve fornecer as dezenas de búfalos e porcos que compõem estas cerimonias. E os convidados também oferecem.

 

 

 

 

 

 

 

 

Um bufalo categorizado como "mercedes" por ser de uma categoria superior. Segundo o nosso guia, esta criatura custa o equivalente a 8000 euros.

 

No funeral onde estivemos o falecido era de um estrato social elevado, e isso fazia-se notar no número de convidados (cerca de 2000) e abundância de animais.

 

Como tinha mais de 24 búfalos para sacrificar no seu funeral teve direito a uma estátua de madeira chamada TaoTao:

 

 

Não assistimos a luta de búfalos e galos, também típica.

 

Os membros da família abatem os búfalos e porcos oferecidos e do combate. Acreditam que o espírito do falecido vai viver em paz depois disso.

 

Os búfalos são abatidos e a carne distribuída aos visitantes do funeral. A distribuição é realizada de acordo com as posições sociais dos convidados, e o espírito do falecido também tem direito a uma porção de carne, conhecida localmente como Aluk Todolo.

 

 

As cabeças dos búfalos são devolvidos à família e os seus chifres colocados na frente da sua casa. Quanto mais chifres decorarem a frente da casa, maior o estatuto do falecido. O corpo não é enterrado até alguns dias após cerimónia.

 

 

 

Durante as comemorações há várias danças, sons de gritos dos membros da família.

 

 

 

 

O morto é enterrado - o descanso final - numa gruta natural ou esculpida para o propósito, ou em suspensão numa montanha ou mais raramente no solo.

 

 

 

 Familiares do falecido.

 

 

 

 

E foi assim a minha experiência, forte, intensa e marcante.

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publicado às 00:49

O dia dos namorados, São Valentim... Ou lá o que foi

por parasergrandeseinteiro, em 15.02.14
Não me diz nada. Não sou contra, nem sou a favor. É-me indiferente!
Não censuro ninguém que o célebre ou faça deste dia um dia diferente e especial. Também pode ser. Afinal é sempre bom festejar algo.

Perdi a paciência de alimentar o consumismo destes dias festivos, que para pouco mais servem do que que vender corações e cupidos pirosos. Incentivo ao consumismo em massa não é comigo. O meu tão detestado "andar a toque de caixa".

Mas, mesmo não gostando do dia do Valentim, adorei a ironia do meu dia de ontem e por isso quero regista-lo.

Eu e o J, chegamos a Tana Toraja depois de uma longa viagem e fomos assistir a um funeral típico desta zona. Uma das razões que nos trouxe cá. (Farei um post com mais detalhes brevemente.)

Não mórbido o suficiente, o J referiu-se e repetiu para lá de uma dezena de vezes não "funeral" mas "casamento". Cada vez que se referia à cerimónia para fazer uma questão ou destacar algum pormenor, ao guia, a mim ou a qualquer outra pessoa, pumba! O Casamento!
Melhor ainda é que nem dava conta. Ainda tentamos fazer uma piada com o nosso guia, a dizer-lhe que era quase o mesmo, mas ele não reagiu!
Há para aqui um acto falhado qualquer... Ainda demos umas boas gargalhadas à conta disso!

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publicado às 12:32

Adeus Bali!

por parasergrandeseinteiro, em 12.02.14
Praia de Kuta



Uma noite bem animada:





Ficámos em Kuta 2 noites para renovar o visto de turista na Indonésia e estende-lo mais um mês.
O sul da ilha de Bali é demasiado turístico e já pouco autêntico . Está talhado para servir turistas.
Kuta é dos destinos mais procurados em Bali. A mim fez-me lembrar uma Rua da Oura, em Albufeira, pejada de turistas.

Estadia de 9 a 11 de Fevereiro.

Rumamos agora a ilha de Sulawesi, primeira paragem Makassar.

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publicado às 08:00

E tudo muda

por parasergrandeseinteiro, em 11.02.14
Fiz uma mala com dois pijamas, um par de chinelos e um casaco de lã amoroso escolhidos ao meu gosto e oferecidos pelos pais. Pouco mais foi necessário levar. Não eram umas férias, mas o quarto era confortável e apenas para mim.
Estava esclarecida e bem elucidada do que que me esperava. Ou então não estava. Mas também não era preciso.
Entrei na véspera. Aproveitei o serão para terminar um projecto proposto numa ultima fase de entrevistas da minha futura (actual ex) empresa em Hong Kong. Era importante para mim, não tanto como o que iria acontecer no dia a seguir, mas queria fazê-lo e entregar.
Como estaria eu nas próximas semanas? Dificilmente capaz de fazer o que quer que fosse.
O Prof. JF entrou no meu quarto e admirou-se, repreendendo-me de imediato: T, quero-a a dormir quanto antes para amanhã estar fisiologicamente apta para a cirurgia.

Tomei um banho com um líquido, para mim lixívia, embora me garantissem que não, e vesti uma bata que me deixou o rabo de fora. A toca deu o charme final.
Subi para a maca. E ouço a Sra. Enfermeira dizer sobriamente: despeça-se dos pais.
Despeça-se? Oh diabo! Então? Senti a situação como um soco!
Ali caí em mim. Os 7% de taxa insucesso associados à intervenção que me esperava, pareciam-me agora significativos, e nunca me tinham sequer incomodado até data.
Sou muito pragmática e prática nestas situações. A solução para o problema era aquela. Escolhi o melhor cirurgião, tinha confiança nele e queria resolver a situação da forma mais célere. Estava muito positiva.

Lembro-me dos olhos azuis aguados do meu pai, da expressão de ternura da minha mãe que me disse inquieta: até já meu amor, vai correr tudo bem. Estamos aqui à tua espera.

Há pois vai, só pode!
Enquanto me pincelavam para entrar na sala de anestesia, tive uma conversa seria com o meu corpo:
"Nem sempre te tratei da melhor forma, sou gulosa para caramba, fui uma adolescente rebelde e bebi algum álcool e essas cenas que parecem ser "saudáveis" (irónico) para ser um adulto equilibrado e resolvido. Mas agora cresci, como sempre sopa e fruta, bebo muita agua, faço desporto, e sou consciente com a minha saúde... E não é por mim! Até porque não estarei cá para lamentar. Mas as pessoas que estão lá fora não merecem sofrer. Por isso dá o teu melhor!"
E pronto, entrei na sala de Cirurgia e fui super bem tratada. Os minutos que estive consciente negociei uma cicatriz horizontal. Já apalavrada, mas teimosa como sou queria reforçar a ideia. Ficou combinado que não havendo questões de maior assim seria feito. Se complicasse, para além da horizontal teria uma vertical... Justo!

Foi assim que há uma ano atrás fiz uma cirurgia de peito aberto ao coração, para emendar um defeito genético com 30 anos (incrível) chamado "ostium primum", que me traria a muito curto prazo problemas e dissabores na minha vida: hipertensão pulmonar crônica e impossibilidade de terminar uma gravidez... Entre outros.

A cirurgia foi um marco importante na minha vida obviamente, mas esse foi o começo de uma viragem abrupta.
No espaço de um ano tudo mudou. Não tudo, mas muito.
Percebi e aprendi algumas coisas. E descobri uma garra interior que não conhecia.

Primeiro não há amor nem dedicação como o de mãe e pai.
Não ter autonomia, nem capacidades de ter a minha intimidade e higiene. Sentir-me incapaz de me levantar ou subir uma escada. E te-los ali prontos, a postos!, e disponíveis 24h por dia, capazes do inimaginável só para diminuir um milímetro que fosse o meu desconforto ou dores.
Aprendi depois de algumas lágrimas e surpresas que é assim, um amor incondicional sente-se por pais e filhos. Há muitos tipos de amor paralelamente, mas vamos lá crescer e gerir expetativas... Não estão lá sempre. Muito menos quando "é preciso".

Lamentar situações, acontece, mas o mundo não nos deve nada, devemos nós ao mundo. Falo por mim.

Esta coisa de andar para aqui não é fácil, nem sempre percebo o objectivo, mas felizmente vou tendo a maioria das vezes energia positiva e motivação para viver feliz no meu presente e sonhar com o futuro. E a coisa anda maioritariamente de sorriso aberto.

Aprendi que prefiro pedir disposição, motivação e boa energia, se é que isso se pede, ao invés da sorte, do sucesso e derivados. Tenha eu vontade, motivação e um sorriso e meu deus, do que sou capaz! Não é preciso ter muito, mas a proeza de viver com pouco. Essa quero-a!

Aprendi a não ter medo da solidão. Para que? Já estive tão só, achando-me acompanhada. Autocomiseração também já não dá com nada!

Senti que não é tão difícil começar de novo. Pelo contrário, é altamente recompensador. Ainda mais quando se tem uma oportunidade para viver outra vez.
Conquistar espaço e confortos torna-se um estilo de vida saudável!

Despedi-me da minha casa, do meu trabalho, mudei de país, terminei uma relação, comecei um novo projecto profissional, apaixonei-me de novo, senti-me feliz muitas vezes, terminei uma pós-graduação, terminei um contrato, despedi-me de HK, viajei, propus-me a outro projecto... E cá estou, com uma mão cheia de nada e um coração cheio tudo!

Um ano depois, guardo este percurso como a maior das oportunidades que tive na vida.
Desde não conseguir subir um único degrau, até estar do outro lado do mundo cheia de projectos.
Tudo muda!

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publicado às 01:26

Padang Padang

por parasergrandeseinteiro, em 10.02.14
Chegamos a Padang Padang, no sul da ilha Bali.

Não sei se foi do excesso de calor, da "onda" demasiado turística, das abordagens para oferta de serviços (transporte, alojamento...) com preços ousados e para mim ofensivos. Encanitei-me!
Como turistas, e antes disso como pessoas civilizadas, devemos todo o respeito a culturas diferentes, mas não me façam de tonta!!! É que depois não é bonito!

Não aconselho. Na possibilidade de escolher outro destino na ilha de Bali, nem questiono.
Vínhamos mal habituados de Padang Bai. Boa casa, boa comida e uma gente mais humilde.

De qualquer forma tem o seu encanto:

Por do sol na praia:



Templo de Uluwato:



Estadia de 7 a 9 de Fevereiro de 2014

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publicado às 10:08

Das voltas aquando da estadia por PadangBai...

por parasergrandeseinteiro, em 08.02.14
Besakih Temple, Mount Agung, Bali





Taman Ujung Water Castle, Bali







Lake view Kintamani, Bali



Rice Paddies, Sebatu, Bali



Ainda em PADANGBAI:

White sand beach



Black sand beach



Porto principal

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publicado às 12:21

Soltas e Deliciosos momentos

por parasergrandeseinteiro, em 06.02.14

 Yogyokarta, Ilha de Java, Indonésia

 

 

Yogyokarta, Ilha de Java, Indonésia

 

É muito comum, receber uma abordagem calorosa, uma saudação ou apenas um aceno de qualquer portão ou quintal... Dizer "Bom-Dia", "Boa-tarde" ou só "olá" por parte de miúdos e graúdos.

 

Pemuteran, Ilha de Bali, Indonésia

 

As crianças brincam na rua. Sem supervisão, nem controlo. Aparentemente é tudo muito pacífico.

 

 

Pemuteran, Ilha de Bali, Indonésia

 

Depois do mergulho, um banho de água doce.

 

 

PadangBai, Ilha de Bali, Indonésia

 

 Há uma ternura, dedicação muito visível e manifestações de carinho de pais para filhos. Daí serem "todos" adultos tão amorosos.

 

PadangBai, Ilha de Bali, Indonésia

 

 

PadangBai, Ilha de Bali, Indonésia

 

A delicadeza de três meninas esperando pelo início da cerimónia do Barong.

 

PadangBai, Ilha de Bali, Indonésia

 

Em contraste com um grupo de meninos bem reguilas!

 

 

PadangBai, Ilha de Bali, Indonésia

 

Não há uma alma neste mundo que não conheça o Cristiano Ronaldo.

Por cá são muito interessados em futebol. Logo que se diz ser Portugues, ouve-se imediatamente: CRISTIANO RONALDO, MOURINHO...

 

 

 

Ujung, Ilha de Bali, Indonésia

 

Já não consegui apanhar a cena que queria.

Ia a conduzir, mesmo assim parei para fotografar. Três crianças em fila pela berma da estrada protegendo-se da chuva com uma folha de bananeira!

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publicado às 03:21

Onde e como ficar?

por parasergrandeseinteiro, em 05.02.14

Normalmente marcamos a nossa estadia, pelo menos a primeira noite, na véspera de chegarmos ao próximo destino. Através da internet fazemos a nossas escolhas e reservas baseadas nas "reviews" disponíveis e a coisa tem corrido bastante bem.

 

De qualquer forma achámos que saltamos um passo importante. Ver com os nossos próprios olhos, perceber a localização e acessos, negociar o preço e sentir a energia do local é sempre melhor.

Desta última vez resolvemos arriscar, sem marcação temos que nos sujeitar ao que houver didponivel, e enquanto eu bebi um Kopi (café) num qualquer warung (restaurante em indonésio) em Padang Bai e guardei os 300Kg que carregamos, o J foi bater perna à procura de um poiso para nós.

 

Ficamos numa HomeStay chamada Tirta Yoga.

 

 

Para além de ser dos sítios mais agradáveis onde ficámos, tem um pequeno-almoço bom e o preço é fantástico! Uma esplanada no andar de cima e de baixo, um bom quarto, internet... E os Donos são amorosos.

O Sr. Da nossa HomeStay já me ensinou a fazer as suas deliciosas panquecas de banana.

Eu e o J estamos viciados em panquecas de banana, e pelo andar da coisa não me parece que iremos enjoar.

 

Eu ultimamente ando numa de coleccionar receitas e super motivada para cozinhar e conhecer pratos novos, por isso pedi-lhe para o acompanhar a fazer o pequeno almoço. O seu inglês é reduzido mas o pessoal entende-se. Às vezes de formas muitos engraçadas.

 

Nem tudo esta disponível online, pode não correr tão bem das próximas vezes mas vamos voltar a arriscar.

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publicado às 04:50

Como conduzir na Indonésia?

por parasergrandeseinteiro, em 04.02.14

Não sei a resposta e não tenho muitos bons conselhos para dar. Ter sorte será uma ajuda importante.

Motas com 3 e 4 pessoas mais um carrinho de mão em suspensão ou um bicicleta em braços erguida no ar, é normal.

Montes de terra a ocupar a minha faixa. Obras.

E tudo o que pode ocupar uma estrada não é estranho! Os obstáculos de variadas naturezas estão la e o pessoal que se desvie.

Bicicletas e mesmo motas encostadas à minha berma, mas a moverem-se em sentido contrário. É mato!

Camiões gigantes, carroças e animais a atravessarem-se na estrada mais uma densidade de motoretas a aparecerem em todas a direcções possíveis e a ultrapassarem por ambos os lados conduzidas por seres humanos desde os 8 anos aos 90 anos de idade. Igualmente normal!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Estas fotos pouco reproduzem o caos da estrada. Ia agarrada ao volante e o J aos ... OO, mapas :) )

 

Tudo é possível e as regras não existem. Cumpri-las chega a ser um perigo. Se paro numa passadeira vou ser ultrapassada certamente e os peões ficam confusos COMIGO.

 

Choveu torrencialmente, andamos 300 Km em dois dias inteiros já que 30Km/h é uma boa média por aqui! Apanhámos estradas em que a largura das duas faixas juntas, era pequena para um carro...

 

Uma tarefa arriscada! Enfrentei provas arriscadíssimas! E já no final do segundo dia, a inverter a marcha numa estrada vazia bati (encostei levemente) numa mota de uma adolescente com 15 anos, parada atrás de mim (Céus! Eu não a vi).

Ficou presa ao meu pará-choques! Fiquei "roxa" e super incomodada (ou talvez mesmo aborrecida). Senti-me super preocupada (sentia os meus olhos em água) com a menina e a sua mota mas felizmente não houve danos. Numa estrada deserta apareceram não sei quantas almas para ver o que se passava. Insistimos para saber se a menina estava bem e se a mota precisava de reparação. Mas ficou tudo certo. Diz o J que se fosse em Timor Leste seriamos abordados com catanas e abriríamos a carteira à grande!

 

 

 

(Locais + J a desencastrarem a mota do nosso para-choques)

 

Depois de ficar descansada com a minha vítima, só pensava o quanto iríamos ser "sugados" pelos riscos no carro! Aqui estrangeiro PAGA sempre! No fim, felizmente não houve consequências.

 

Foi uma experiência. Sem dúvida! Intensa e stressante.

Foi a minha primeira vez a conduzir à direita. Cada vez que queria fazer pisca limpava os vidros. E às vezes em vez da segunda metia a marcha atrás. Ah, também confundi as faixas!

Conduzir uma carripana de 7 lugares também não é maneirinho!

E a experiência de condução aqui é tipo jogo de computador. Vão aparecendo "cenas" e temos que nos desviar. E há vários níveis! Mas só devemos ter uma vida!

 

Apesar do J ir tenso e com dificuldades de fazer a digestão ao meu lado, enquanto eu dominava a viatura, vimos sítios muito bonitos e outros nem tanto mas conhecemos as redondezas de PadangBai!

 

A pérola da viagem:

Eu: J, não me trates com uma anormal sff!

J: T! Então vai para a tua faixa sff!

 

Nota: Pais! Prometo não conduzir mais aqui. Pelo menos tão cedo. Até para o bem da minha relação com o J (LOL).

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publicado às 09:16

Manhãs

por parasergrandeseinteiro, em 04.02.14
Não há como os cheiro e luz da manhã. Quanto mais de manhã, mais intenso se sente. A natureza acorda e respira diferente. Ainda não "sua", só respira sem esforço.
O calor ainda se sente ténue, mas já aquece.

Sempre adorei manhãs. Costumo dizer que é porque vou comer (eu nasci para comer), mas a verdade é que sou uma pessoa bem disposta de manhã.

Um café na mão, e o mar mesmo ali... Só poderá ser um bom dia!
Um dia com cores lindas!






Geko divers, Padang Bai

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publicado às 08:40

Coça e coça!

por parasergrandeseinteiro, em 03.02.14
De entre os "essenciais" do kit nocturno, como tampões para os ouvidos (adoro galinhos mas nao durante a noite e mesquitas também é algo a evitar) e mais umas quantas coisas como a minha goteira e afins... o prémio de "objecto maravilha" destas ferias é:




Um exalo anti-mosquitos.

Porque minha gente se há "pessoal" que não morre de fome por aqui são as melgas e mosquitos. Se dúvidas houver estão cá as minhas perninhas para o provar!

Apesar das inúmeras vezes que me "barro" com repelente durante o dia não é suficiente nem eficaz. Só mesmo durante a noite é que há tréguas. Graças ao exalo!
Definitivamente vai para a lista da "mala de vagem".

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publicado às 01:59

Cerimónia do exorcismo. Dança do Barong em Padang Bai, Bali

por parasergrandeseinteiro, em 01.02.14

   

 

 

 

 

 



Uma cerimónia religiosa hindu que se tornou numa encenada (?) guerra espirítual.

Um cerimónia local com um propósito espiritual muito profundo.

Assistimos a um acontecimento crucial, acredito que fora das eventuais performances turísticas, o exorcismo.

A história de Barong , segundo a mitologia de Bali.
Rapidamente...
Dança Barong retrata uma batalha épica entre o bem e o mal, um conceito semelhante na maioria das religiões do mundo.

 

Barong, muitas vezes representado como um leão, representa um final bom.

 

 


Em contraste, Rangda é uma bruxa má, ou a rainha do demónio:

 



O Barong aparece em palco, acompanhado por macacos , que são historicamente associados como ajudantes do Barong.

(Razão pela qual há tantos macacos nos templos de Bali.)

 

Os macacos dançavam felizes ao redor de Barong antes de Randga aparecer. Randga circundava Barong na tentativa de lhe causar danos.

Aqui começa a batalha entre o bem e o mal.

Não foi uma performance para os turistas. Foi uma cerimónia religiosa para equilibrar o nível de bem e mal na aldeia de Padang Bai.

O público (locais) começaram a exaltar-se, e nós distanciámo-nos da multidão.
Dizem, que é o ponto em que as pessoas começam a possuir-se pelo espírito maligno de Rangda.
Começaram a espernear e a gritar descontroladamente. Seis ou sete homens próximos das "vitimas" reagiram rapidamente e prenderam os seus braços e pernas no chão, enquanto lutavam com o que parecia ser uma histeria pura.

 

As mulheres locais e as crianças apreciavam a cena, aparentemente calmos e resignados aos acontecimentos.

Devo dizer que é “forte” assistir a estas cenas.

 

Ao longo da cerimónia, e já com noite cerrada, várias pessoas entraram nesse estado de transe. Enquanto isso os seus conterrâneos juntavam feixes de madeiras e incendiavam... e de novo uma nova multidão formou-se e a histeria, gritos e pessoas em transe aumentaram.


 

 

 
Era hora de o exorcismo!
O espírito de Randga ainda estava muito presente nos homens possuídos, e a loucura parecia aumentar…
Os aldeões vestidos a rigor, com as cabeças envoltas em panos brancos e vestidos de sarongs começaram a forçar arak, uma bebida alcoólica local, nas bocas dos homens desesperados.
De repente os homens possuidos ficaram obcecados com as chamas próximas e atiraram-nos ao fogo e tentaram apagá-lo no seus próprios corpo e cara, enquanto os seus companheiros evitavam a todo o custo que houvesse danos maiores.
Uma cena impressionante.  
O fogo representa os espíritos malignos. E assim um a um o espírito de Rangda foi exorcizado , e o equilíbrio entre o bem e o mal foi restaurado.
Os homens exorcizados desabaram em silêncio no chão, exaustos da guerra espiritual que tinha ocorrido dentro deles.

Nunca tinha visto uma dança Barong, muito menos que incluísse uma cerimónia de exorcismo.

 

Foi um privilégio ter assistido a esta cerimónia. Primeiro porque não esperávamos, segundo porque uma performance local e não turística e terceiro porque  foi uma experiencia nova, intensa que me trouxe ensinamentos.

 

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publicado às 10:01


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