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A pedido da minha querida prima M (a mais velha ;))

por parasergrandeseinteiro, em 13.05.13

A minha prima M está a fazer um trabalho sobre a emigração em Portugal, estabelecendo um paralelismo de motivações entre os anos 50/ 60 e os dias de hoje.

Pediu-me o meu testemunho para utilizar como um anexo.

Tive todo o gosto em contribuir e partilho-o agora aqui:

 

Construir um ‘América’, ou será uma Ásia’?

Cresci a ouvir, que tempos houve no passado, em que muita gente, inclusive o meu querido avô Correia, teve que prescindir da sua família e zona de conforto para se lançar além fronteiras. Era a única forma de gerar um orçamento familiar capaz de fazer vingar os filhos. E assim foi.

O meu avô saiu de Portugal, provavelmente numa carripana com um grupo de gente nas mesmas condições, atravessou grande parte de Espanha a pé, à boleia… será difícil imaginar! E chegou a Paris.

Na altura não havia skypes, facetimes, telemóveis, emails… a carta que demorava semanas a chegar era a única forma de aconchegar um coração ferido pela saudade.

As 3 filhas que teve são hoje mulheres “bem criadas” mas à custa de um pai ausente.

 

Terminei o meu curso, comecei a trabalhar no dia a seguir ao meu estágio… Passei de uma empresa para outra e outra, tirei um mestrado e agora estou a terminar uma pós-graducao numa prestigiada universidade no Reino Unido de onde saem primeiros ministros e presidentes.

Não me posso queixar, ganhei a minha independência na altura que tive necessidade e também possibilidade. Fui crescendo profissionalmente e ganhando responsabilidades, viajei bastante.

Então porque sair do meu pais? Então porque não ter os que mais amo no meu dia a dia…?

 

No dia 26 de Junho de 2013 faz sete anos que terminei o meu curso e que estou a trabalhar. No dia 26 de Junho de 2013 faz sete anos que deixei de receber mesada e passei a ter uma conta com mais de 3 dígitos (pelo menos no dia em que me pagavam) e há sete anos que gosto de me desafiar, que acredito que quando fazemos algo bem terá repercussões… não necessariamente pessoais, mas no resultado de um projeto, na vida de um doente, no futuro de algo…

Sou uma mulher da ciência, acredito na lógica e no raciocínio… e nos últimos anos, infelizmente, deixei de perceber muita coisa no meu país.

Saí do meu pais, porque precisei de sair de um “barco que se está a afundar”. Porque vi muita gente muito próxima de mim a perder o emprego, a não ter possibilidades… ‘Abandonei’ o barco, porque sou adepta da premissa que a mudança não é reativa mas sim proativa. Vim buscar ajuda talvez… e tenciono voltar.

 

Nunca tive nada de ‘mão beijada’. A sorte construo-a todos os dias, e pago um preço alto… as saudades, a solidão, a incerteza do futuro, a dúvida do que está certo ou errado… Mas não olho para trás, vim buscar motivação, vim viver e respirar coisas novas, vim aprender com pessoas diferentes, vim abraçar um projeto profissional melhor, vim ganhar dinheiro… Vim buscar o que o meu pais deixou de me poder dar, a esperança e possibilidade de viver com qualidade.

Nos últimos tempos, leia-se 4 anos, trabalhei bem mais que 8 horas por dia, hipotequei os meus serões e fins de semana, e  não tinha dinheiro para gozar de momentos de lazer… nem para poupar!

Vim por mim, vim pelos Meus e pelos que hão de vir.

 

Avô Correia, todos nos só somos o que somos hoje porque tu és um homem que não olhou para trás e foste buscar a tua sorte. És uma inspiração para mim.

 

Cada um tem o seu fado, o meu será sempre Portugues… mesmo do outro lado do mundo.

publicado às 14:57


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