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ufa...

por parasergrandeseinteiro, em 06.03.14

Chegar não foi fácil.

 

A viagem é dura, longa e desconfortável. (Manado - Gorontalo 10h de autocarro sem A/C + Gorontalo - Ilhas Togian 15h de barco)

Mas está feita. E cheguei!

De imediato percebi que valeu a pena o esforço. Antes mesmo de pôr o pé fora do barco, ocorreu-me que teria de voltar e assim passar pelo mesmo suplício. Mas até lá só tenho que aproveitar.

 

 

 

 

Dormir e acordar a ouvir o mar. Está mesmo ali a 5 metros da cama.

 

 

Abro a janela e sinto que é e vai ser um bom dia. A água é um sonho, um sonho pintado em degrade de azuis. Uma paleta de cores que vai do transparente ao azul escuro forte e denso, passando pelo verde-água e azul turquesa .

Um mar calmo, que canta ritmadamente, e cobre um paraíso de vida de peixes, corais , moluscos, conchas, e tudo o que la está, cheios de cores e coreografias próprias. Um verdadeiro sonho. A minha sensação neste momento é que não consigo absorver esta maravilha toda de uma vez.

 

É inevitável tentar atribuir um valor a esta maravilha sem contrapor ou relativizar com o que estou habituada. A sensação chega a ser incomodativa. Eu queria só ouvir o mar e deixar-me estar ali. Mas não consigo, assim facilmente. Parece que surge uma inquietação e/ou tentação inconsciente que procura uma estratégia para guardar este "tesouro". Depois tento através da fotografia, filme... escrever sobre.

 

Será que já não consigo só aproveitar? Sentir? Dar-me esse direito? Que tendência esta de ver o mundo através de uma objectiva, de querer registar só para não esquecer. O que? Aquilo que não aproveitei na sua essência porque estava mais preocupada em guardar para... Que?

 

Tenho pensado sobre isto. Desconfio que o ser humano é tendencialmente egoísta e desequilibrado o suficiente para nem sequer saber ser bom para si próprio. Não se da prioridade. Pelo menos do que deve. Fácil confundir prioridades, fácil ser escravo de uma consciência muito egoísta. Uma consciência movida pelo pavor a sentir culpa de algo. Deixa-se de fazer a nossa vontade, para fazer o que não nos fará sentir mal. Tem-se medo de ser autêntico.

 

Parece mal, acobardamos-nos no medo das consequências. Não querendo ser anarquista, não gosto do: "olha aí! Não faças assim... O que as pessoas vão pensar?"Ai sim? E o que eu penso? Ou, o que tu pensas? .... Vem depois? Não deveria vir primeiro?

 

Bem, vou dormir uma sesta numa sombra.

 

 

 

Escrito a 26/02/2014

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